Se há algo que sempre tem me fascinado na Bíblia são os seus
profetas e profetisas. Em especial me encanta a imensa sensibilidade daqueles
homens e mulheres para ouvir a voz de Deus. Sua clareza para reconhecer os
sinais dos tempos, e é claro, sua coragem de aceitar os enfrentamentos da vida,
decorrentes de sua fé.
A religião dos profetas de Israel fala de ousadia e rebeldia.
Fala também de pessoas que, em nome de Deus, denunciaram os abusos de reis e questionaram
políticas públicas equivocadas. Se colocaram ao lado dos mais pobres, dos
estrangeiros, dos órfãos e das viúvas, pois os viam como os preferidos de Deus
num tempo de exclusão social e profunda injustiça econômica.
Às vezes me pergunto como teriam reagido os profetas e
profetisas bíblicos, se vivessem numa sociedade como a nossa, que retém os
salários dos trabalhadores, que engendra mecanismos sutis para manter os pobres
na eterna pobreza.
Mas os profetas eram também pessoas humanas como cada um de nós, com suas contradições e ambiguidades. E nisso, nenhum deles parece superar a Jonas. Nele podemos ver refletida muitas das nossas próprias fragilidades, especialmente quando tentamos impor limites e restrições à graça de Deus.
Mas os profetas eram também pessoas humanas como cada um de nós, com suas contradições e ambiguidades. E nisso, nenhum deles parece superar a Jonas. Nele podemos ver refletida muitas das nossas próprias fragilidades, especialmente quando tentamos impor limites e restrições à graça de Deus.
A história de Jonas relata sua vocação de ir até a cidade de
Nínive para falar do amor de Deus. Para proclamar a libertação de um povo que
estava cativo de seu próprio orgulho. Mas no fundo, Jonas ainda tinha uma visão
estreita do amor de Deus. Pensava que a graça Divina era exclusiva de um único
povo, de uma única religião. Pensou, infelizmente, em Deus de modo estreito e
preconceituoso. Tendo sido designado para abençoar a um povo que estava vivendo
tempos sombrios, preferiu tomar um barco para outro destino: Társis. Só o seu
naufrágio pôde reconduzi-lo ao centro de sua missão, de volta ao caminho de
Nínive.
Em cada um de nós parece se esconder um pequeno Jonas, pois
todos nos deparamos, volta e meia, com estes mesmos limites: nem sempre
queremos reconhecer que Deus é bom. Bom demais para ratificar nossos
reducionismos. Perdemos de vista (e isto com estrema facilidade) que Sua graça
não conhece fronteiras e limitações. Seu amor é (e sempre será) incondicional.
Em Cristo, profeta por excelência, Deus nos mostra que Seu Reino
tem muitas moradas e é justiça e misericórdia para todos os povos. Ele
explicitou o amor Divino por todos os seres humanos, e em especial por aqueles
e aquelas que sofriam por conta do preconceito generalizado. Por isso mesmo é
que perdoou publicamente mulheres acusadas de adultério, tocou afetuosamente em
leprosos e os curou, aceitou convites para comer com pecadores assumidos, deu
voz às crianças e as tomou como paradigma da salvação.
Jesus Cristo encarnou o autêntico profetismo ao enfrentar os
poderes de Seu tempo: não poupou Herodes, chamando-o pelo justo nome: raposa.
Expulsou do templo quem fazia da religião do povo, um comércio rentoso.
De tudo isso, tenho que reconhecer que precisamos resgatar um
outro tipo de religiosidade, que parece ter sido esquecida, ou que adormeceu
embalada pelos modismos modernos. Carecemos, em imenso, de uma religião que
seja mais profética e menos midiática. Mais comprometida com as causas de Deus,
do que com os “negócios” deste mundo.
Profetas e profetisas, nós precisamos!
L. Bastos
Uma mensagem de um profeta por excelência! Que aponta o desvio, mas indica o caminho.
ResponderExcluirMuito bom texto. Nosso país precisa urgentemente de pessoas que tenham esta coragem.
ResponderExcluirQuem se habilita?
Desperta-me, Senhor.
Sempre que tenho a oportunidade de ler um texto seu, sinto ter encontrado o que me tem feito falta deste antes de entrar na faculdade de teologia: um púlpito digno do metodismo.
ResponderExcluirEncontro sempre, nas suas palavras, aquele tom de erudição em forma simplificada e acessível, sensibilidade e com uma certa diferença que o deixa muito distante de ser mais um.
Gostaria muito que os pastores metodistas honrassem a história e a vanguarda, comum em nossa história, como suas palavras fazem. Muito obrigado por ter me mostrado esse texto. Tão alinhado com a tradição dos profetas, com tom de atualidade que faz perguntar "onde estão os profetas atualmente?", ou "porquê nós não o somos?".
Muito obrigado por esse texto leve, sensível e atual.
Seguir à Jesus para mim, se tornou um estilo de vida, isso significa que está muito além de ser uma religião. Por em prática os ensinamentos de Sua preciosa Palavra, no decorrer dos dias, veio ao meu entendimento que, todos fomos chamados à sermos Profetas e Profetizas da parte de Deus. Para que se torne uma realidade, precisamos ter uma busca diária na leitura da Bíblia e principalmente uma comunhão, através da intimidade e Oração com Ele, com isso, nos tornamos sensíveis ao seu Espírito e consequentemente passamos à ouvi-lo de uma maneira tremenda, a qual, nos tornamos boca de Deus aqui na terra. Só se torna possível, realmente, quando nos colocamos à Sua disposição e fazemos à Sua vontade. Não precisamos de grandes eloquências, nem tampouco estardalhaço!!!
ResponderExcluirMuito bom o texto. Nosso país precisa de profetas e proferidas que de fato assumam as consequências de denunciar os falsos profetas e anunciar a vida em Cristo. A proposta do Reino, a meu ver, é para os Cristãos é anunciar Cristo através de sua vida, o que tem sido um desafio para está geração.
ResponderExcluirEssa é uma reflexão precisa e necessária. A Bíblia, que deve ser nosso manual de instruções, mostra a história de vida de pessoas comuns, como nós, que não hesitaram em cumprir o que lhes foi ensinado por Cristo.
ResponderExcluirMuito se fala sobre a diferença dos tempos ou sobre o peso que eles tinham de ter Jesus ao lado deles ou como era mais perceptivel o sobrenatural de Deus nos tempos do Antigo e do Velho Testamento.
Entretanto, os relatos estão escritos para que nos sirvam de inspiração e de lembrança de que aquele Deus é o mesmo do de hoje.
E aí, seguindo o encerramento desse otimo texto, onde estão as profetisas e profetas que tanto precisamos?
Profetas e profetisas é o que precisamos. Precisamos de gente que não se esteja comprometida com religião, com políticos, mas legitimamente comprometidos com o coração de Deus. Difícil nos dias de hoje. Essencial, no entanto, nos espelharmos nestes exemplos antigos e buscar inspiração. Você tem olhar profético. Inspire-nos!
ResponderExcluirProfetas e profetisas é o que precisamos! Precisamos de gente comprometida com o coração de Deus e não com políticos, religiões e interesses próprios. E talvez sejamos estes profetas, que como Jonas, fugimos para nossas Tásis com medo de nos comprometer. O discursos do "eu" em primeiro lugar, justificam nossa saída pela tangente. Textos como este tambem são proféticos, inspiradores. Que eles nos ajudem a chegar a Nínive!
ResponderExcluirBom dia Levy,Só agora acabei de ler o seu texto. Muito bom e contextualizado.O que você descreve é em parte todo o meu sentimento do que vem acontecendo nos dias atuais em se tratando dos profetas, profetisas de ontem e de hoje. Com algumas diferenças:Os nabys,roes, denunciavam toda injustiça social de seu tempo.Hoje, temos poucos Nabys em nossas igrejas. O que temos são líderes religiosos que se colocam ao lado do rei. Gostei muito do texto. Precisamos de pastores como você,para transmitir mensagem de combate à injustiça social e se colocar ao lado dos vencidos.
ResponderExcluirLinda reflexão. Estamos carentes, esquecidos ou conformados, com o status côr, ou até quem sabe o modus operandi vigente de um evangelho que se afastou da "denúncia e anúncio". Que seja um tempo de despertamento e retorno para o caminho de Nínive.
ResponderExcluirProfessor, excelente texto, sempre inspirador, abraços querido amigo
Belo texto! Estou convencido de que necessitamos de profetas e profetisas do Reino de Deus e não de advogados e justiceiros...
ResponderExcluirPastor Levy, que desafio!
ResponderExcluirNão há como ler um texto assim e não se sentir desafiado(a) a promover uma mudança em nossa vida pessoal.
Que possamos começar a mudança em nossas vidas e na vida da nossa comunidade.
Creio que 2020 pode ser o ano da mudança se cada um fizer a sua parte.
Como disse Isaías: "Eis me aqui, Senhor".
Belo texto.
Parabéns...
Pr Levy...
ResponderExcluirTexto desafiador!!!
Jonas não deixou de reconhecer que Deus é misericordioso. Muito pelo contrário! Antes, por saber dessa realidade, decidiu que os ninivitas não deveriam receber a misericórdia divina e fugiu de sua missão.
O episódio da aboboreira prova isso...
Ao perceber que aquele povo conhecido pela sua violência seria alcançado pela misericórdia de Deus, preferiu desobedecer e partir para o lado oposto justamente para deixar que aquele povo permanecesse SEM a Graça Divina!
Quantas vezes nós agimos da mesma forma? Quantas vezes nós somos discípulos de Jonas ao invés de Cristo?
Quantos de nós estamos dispostos a ser como João Batista ou como Elias ou como Natan?
Denunciar o pecado é a nossa missão como profetas, mas, não simplesmente o pecado como pensamos, e sim, a ganância de pessoas que insistem em explorar o povo! Pessoas que se aproveitam das necessidades do povo carente!
ResponderExcluirBelíssimo texto, traz imensa verdade em suas palavras, o mundo atual precisa de profetas e profetisa que não se deixem levar pela Glória do mundo. E sim pela Glória de Deus, as pessoas já não pregam mais a palavra que vem DELE, e sim, o que vem do homem... Eu posso, eu consigo. Sendo que sem Jesus nada nos é acrescentando.
ResponderExcluirSábias palavras, excelente leitura. Parabéns.
Como sempre, só vem coisa boa de Levy.
ResponderExcluirEntre tantos detalhes exposto no texto, fazendo a comparação com o que vivemos hoje, o que mais sinto falta é o fato dos profetas não se preocuparem com reconhecimento, não se acovardarem diante da possibilidade, real, de retaliação e perseguição; como diz em hebreus, homens/mulheres que não amaram a sua própria vida, pessoas que a terra não era digna de tê-las.
Entre tantos predicativos, este é o que mais sinto falta.
Deus lhe abençoe mais e mais!
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ResponderExcluirTexto bem enfático e esclarecedor.
ResponderExcluirNecessitamos de profetas que possam falar as verdades divinas, sem temer em perder sua posição.
Hoje em nossos dias há muitos profetas corruptos, que profetizam apenas o que lhe convém.
Pr. Levy seu texto é bastante profundo pois nos leva a refletir o quanto de Deus verdadeiramente aprendemos e estamos disposto a colocar em prática. Em alguns "pequenos momentos", eu me sinto igual a Jonas, em alguns "grandes momentos", me sinto bem pior que ele. Hoje temos (ou deveríamos ter) o conhecimento dos erros e acertos ocorridos na história do povo de Deus e mesmo assim, estamos na maior parte da vida (com algumas exceções), lutando a nossa luta, não a luta de Deus. Vivemos como se tudo fosse concluído aqui, as preocupações que em muitas vezes temos com o nosso próximo, nosso irmão tem sido tão superficial que deve fazer até Deus comentar com Jesus e com o Espírito Santo: eles não entenderam nada! Infelizmente hoje vemos uma igreja (povo) individualista, egoísta, que me faz lembrar de Pedro no monte da transfiguração... Isso aqui está bom demais, poderíamos ficar aqui para sempre. Como o Pastor Levy falou, estamos muito preocupados com nossos "umbigos", nossas necessidades, sem nos preocuparmos, pensarmos e agirmos para ajudar, abençoar as pessoas. Se não fazemos isso aos "domésticos na Fé", que dirá aos "gentios". Queremos muitas vezes é que eles paguem por suas escolhas. Eu mesmo, criado na igreja, tenho temor ao meu Deus e de repente, ao ver, ouvir ou saber de algo trágico ocorrido, o que eu gostaria era de ter o poder para desintegrar, aniquilar este indivíduo que praticou tamanho mal para alguém. As vezes fico pensando que ainda preciso me converter, olhar com os olhos de Jesus, mas realmente é muito difícil. Graças à Deus que conforme ele fala na Bíblia, se este tempo não fosse abreviado, nenhuma carne se salvaria (não penso somente na destruição de Jerusalém), acho que em nossos dias, se não for a misericórdia de Deus em minha vida, aí de mim. Se Paulo disse que era um miserável pecador, mesmo tendo feito tudo que fez pelo evangelho, imagine então o que eu sou.
ResponderExcluirComo diz o hino: Foi só pela graça de Jesus que eu venci e cheguei aqui.
Que Deus abençoe à todos.
Manassés U. Silva