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A ideia de uma herança
evangélica é, portanto, o reconhecimento do retorno às fontes. É preciso
retornar sempre de novo às matrizes, às fontes geradoras da fé evangélica. Isso
não significa em hipótese alguma canonizar os reformadores. Se assim fosse, não
estaríamos lidando com uma historiografia séria e consequente, mas sim, com uma
forma grosseira e estéril de hagiografia. Nós evangélicos reconhecemos o valor
dos nossos pais na fé, sem, entretanto, desconsiderar seus erros e imperfeições.
Não é para nós estranho e omitido o fato de que Lutero se posicionou ao lado
dos príncipes na Guerra dos Camponeses. Que Calvino foi indiretamente
responsável pela morte de Miguel de Serveto. Isto, para citar apenas algumas
das fragilidades destes homens. Mas seu valor não pode ser reduzido às suas
falhas. Sua importância está, isto sim, em sua capacidade de ver além de seu
tempo, de empenhar-se com todas as suas forças para serem fiéis e consequentes
ao chamado que receberam de Deus. Nisto está a substância de seu legado.
Podemos falar hoje de marcas
evangélicas atuais. Dito de outra forma: Há as marcas que atualizam na vida dos
crentes de hoje o ideal e anseio que norteou os reformadores de ontem. Todos os
dias estamos sendo desafiados por Deus a dar roupagem nova à herança que
recebemos daqueles que nos antecederam. Atualizar a fé quer dizer, acima de
tudo, reconhecer que vivemos num outro tempo. Estamos separados por cerca de
500 anos, mas, ainda assim, estamos unidos naquilo que é a substância da fé.
Para a Igreja cristã
evangélica de hoje encontrar as pistas de seu futuro é preciso, pois, ir além
dos reformadores, mas sendo sempre fiéis ao seu espírito. Isto não faremos com
respostas prontas. Vale mesmo é a colocação da pergunta: o que significa ser
evangélico hoje? Deus, por certo, nos iluminará. Assim como fez com os
reformadores de outrora, pois Ele seguirá sendo sempre um castelo forte, uma
morada segura.

