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sábado, 8 de fevereiro de 2020

Nem ontem nem amanhã...



Bildergebnis für o futuro

Há pessoas que vivem a remoer o passado. Dele não se libertam nunca. Referem-se a ele sempre com o sentimento de culpa ou pesar. Sentem-se devedoras por não terem feito algo, ou por terem feito algo de que se arrependem.
Há outros que optam por se agarrar ao futuro. E não fazem muito melhor do que aquelas, pois sempre que pensam no porvir, o fazem angustiados e temerosos. O desconhecido as intimida, ou lhes trazem paralisante preocupação. O amanhã, o que será? Como vai ser o meu destino? Na incerteza, preferem a inação.
Definitivamente não nos ajuda muito quando o passado e o futuro são entidades que nos exaurem a vitalidade,  a paixão pela vida ou quando nos tornam apáticos.
O passado pode, todavia, ser algo fecundo se nos traz à memória vivências que nos elevaram a alma, que nos acrescentaram algo que ainda hoje, só a sua lembrança, nos traz contentamento e paz. E não há quem não tenha experimentado situações de contentamento e felicidade.
O futuro, igualmente, é benfazejo se, em vez de inquietação, nos anima e inspira à ação. Quando não nos fala somente de nossas limitações, mas nos impulsiona a atos (mesmo que pequenos) de coragem e amor.
O passado e o futuro podem ser enriquecedores quando jogam luz em nosso dia a dia. Quando alimentam em nós uma esperança ativa e quando nos fortalecem em nossas lutas do quotidiano. Quando projetam-nos para os desafios da vida, sem medo algum, instilando em nós a ousadia e a criatividade.

L. Bastos

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Belos, fortes, invencíveis... mas irreais.


Contam por aí que Napoleão foi perguntado se realmente era feliz. A pergunta veio do fato de que subjugou toda a Europa, forçando, inclusive o Rei português vir morar no Brasil. Ele, desencantado, disse que não era feliz, pois não era como Trajano. 
Foram então atrás deste e lhe perguntaram se ele era feliz, pois de todos os imperadores romanos, ele foi o que expandiu ao máximo o Império. Trajano, triste, disse que não era feliz, pois não era como Aníbal. Aquele sim era grande. Insuperável general. 
Foram e fizeram a mesma pergunta ao general Cartaginês. Ele, como o grande estrategista que atravessou os Alpes com elefantes nas famosas Guerras Púnicas, deveria ser muito feliz, mas, também receberam a mesma resposta. Aníbal não era feliz. E sabem por quê? Porque ele não era como Alexandre, o grande. 
Foram, por fim até o grande Rei macedônio. E a resposta, para surpresa de todos, foi a mesma: não era feliz, mesmo tendo conquistado o mundo com 33 anos de idade. E sabem por quê? Porque ele não era como Hércules, mas Hércules nunca existiu.
Às vezes tenho a impressão que parte de nossa infelicidade é causada porque temos ideais de vida feliz que são irrealistas. Sonhamos ser alguém que não existe. Nosso ideal de beleza está calcado numa quimera. Esquecemos, por exemplo, que boa parte das musas de nosso mundo, se constrói à base de fotoshop. E isso não se restringe somente às mulheres. Sou levado, portanto, a concluir que nossos heróis nos inspiram porque não são reais. 
Eu, de minha parte, prefiro reconhecer minhas limitações e aprender, dia após dia a luta da superação, mas sempre respeitando os meus limites. Meus fracassos não me esmagam. Eles me lembram que sou humano. E isso é muito bom! Por isso mesmo é que, se me pedissem para escolher um herói, não escolheria o Super-homem ou qualquer outro similar. Optaria pelo Chapolin colorado. Ele é um herói com traços humanos. Gosto dele porque ele tem medo, como todos nós. Por isso é que está perto de nós e de nossas fragilidades. 
É tão bom ser humano, com tudo que isso significa. Nem mais, nem menos. Simplesmente humano!


L. Bastos