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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Um cristianismo mais humilde.



Ninguém pode negar que o cristianismo tem feito muito bem a muitas pessoas. Prova disso são as incontáveis instituições de serviço social, na sua maioria gratuitas, que têm atendido aos mais pobres. Preenchendo, assim, a falta do poder público. Mas, por outro lado, não podemos desconsiderar o triste fato de que os cristãos são sim antipatizados por muita gente. E eu tenho me perguntado recorrentemente pela razão desta antipatia.

Desconfio que o que mais incomoda às pessoas de fora da Igreja é a atitude arrogante de alguns cristãos. De fato, é perturbador quando estes se esquecem que, ao longo da história, a Igreja cristã nem sempre esteve do lado certo, nem sempre fez as melhores opções. As Cruzadas, a Santa Inquisição, o morticínio de índios e a omissão diante da escravidão de seres humanos confirma isto.

Como se não bastassem estes lamentáveis fatos do passado, há hoje os relatos que denunciam não somente a pedofilia no interior da Igreja católica como também o uso pouco evangélico do dinheiro por parte de alguns pastores.

Mas o Evangelho é maior do que estes exemplos reprováveis. A Igreja cristã não precisa olhar sua história sempre com pesar. Com o passado podemos aprender muito. A história pode ser nossa mãe e mestra se, e somente se, nos ajudar a reescrever nosso presente.

Julgo que os cristãos ganhariam muito se fossem mais humildes. Reconhecer suas fragilidades e equívocos não faz mal algum. Nós cristãos precisamos ser mais realistas e reconhecer que moramos numa casa com telhados de vidro. Estamos a caminho da perfeição, isto é, ainda não a alcançamos. Isto significa que não devemos nos colocar como juízes ou palmatória da humanidade. Como aqueles que se julgam ser os únicos detentores da verdade.   

Acredito que a Igreja ganha mais se ela se ocupar das coisas que realmente contam e pregar o perdão, a reconciliação, a generosidade, a justiça, a esperança, a vida eterna, a compaixão. Não há quem se oponha a isto.


Nós cristãos não podemos nos esquecer que Deus não é inimigo da alegria e da felicidade dos seres humanos. Nisto está a sua glória. Que os anjos da anunciação queriam paz na terra entre todos os homens de bom coração. E paz é coisa realmente nos falta.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Belos, fortes, invencíveis... mas irreais.



Contam por aí que Napoleão foi perguntado se realmente era feliz. A pergunta veio do fato de que subjugou toda a Europa, forçando, inclusive o Rei português vir morar no Brasil. Ele, desencantado, disse que não era feliz, pois não era como Trajano.

Foram então atrás deste e lhe perguntaram se ele era feliz, pois de todos os imperadores romanos, ele foi o que expandiu ao máximo o Império. Trajano, triste, disse que não era feliz, pois não era como Aníbal. Aquele sim era grande. Insuperável general.

Foram e fizeram a mesma pergunta ao general Cartaginês. Ele, como o grande estrategista que atravessou os Alpes com elefantes nas famosas Guerras Púnicas, deveria ser muito feliz, mas, também receberam a mesma resposta. Aníbal não era feliz. E sabem por que? Porque ele não era como Alexandre, o grande.

Foram, por fim até o grande Rei macedônio. E a resposta, para surpresa de todos, foi a mesma: não era feliz, mesmo tendo conquistado o mundo com 33 anos de idade. E sabem por que? Porque ele não era como Hércules, mas Hércules nunca existiu.

Às vezes tenho a impressão que parte de nossa infelicidade é causada porque temos ideais de vida feliz que são irrealistas. Sonhamos ser alguém que não existe. Nosso ideal de beleza está calcado numa quimera. Esquecemos, por exemplo, que boa parte das musas de nosso mundo, são construídas à base de fotoshop. Sou levado, portanto, a concluir que nossos heróis nos inspiram porque não são reais.

Eu, de minha parte, prefiro reconhecer minhas limitações e aprender, dia após dia a luta da superação, mas sempre respeitando os meus limites. Meus fracassos não me esmagam. Eles me lembram que sou humano. E isso é muito bom! Por isso mesmo é que, se me pedissem para escolher um herói, não escolheria o Super-homem ou qualquer outro similar. Optaria pelo Chapolin colorado. Ele é um herói com traços humanos. Gosto dele porque ele tem medo, como todos nós. Por isso é que está perto de nós e de nossas fragilidades.

É tão bom ser humano, com tudo que isso significa. Nem mais, nem menos. Simplesmente humano!