Da ardente expectativa da criação
Mesmo para quem não mora na cidade de São Paulo, sente-se também preocupado com a diminuição contínua dos níveis de água dos reservatórios que abastassem a maior cidade brasileira. Não é somente o risco de racionamento que perturba a muito de nós, mas acima de tudo, as causas da falta d’água. Já que estamos falando de fenômenos climáticos, por que não mencionar a onda de calor que vivenciamos no verão passado? Combinaram-se o calor extremo com a falta d’água e a nossa vida se viu ameaçada. Agora estamos todos antevendo os efeitos danosos que isso poderá causar ao longo do ano, não somente para a vida urbana, mas também com as plantações que dependem de um ciclo regular de oferecimento de água.
É por essa e por outras que o tema do meio-ambiente tornou-se agenda intransferível para todos os têm sensibilidade e cuidado para com a criação de Deus. Para nós que estamos preocupados com os gemidos da criação, que aguarda ansiosa uma reação cuidadora e curativa dos filhos de Deus, trata-se de uma questão crucial.
A criação de Deus espera mesmo uma atitude responsável de cada crente em Cristo. Desses se espera uma maior participação, como cooperadores de Deus, na grande obra de redenção do mundo. Isto é o que fundamenta toda teologia da criação que se inspire na Palavra de Deus, que anseie expressar a mais autêntica das formas de espiritualidade: uma espiritualidade que não separe o templo onde se cultua a Deus do mundo e de sua criação (Jo. 3,16).
Criação como sinal do amor de Deus.
A criação de Deus (o mundo e tudo que nele há) não indica somente o grande poder Divino, que do nada, tornou a existência tudo o que há. A vida no mundo indica também e acima de tudo a graça maravilhosa de Deus. Ao criar céus e terra, homens e mulheres, Deus indicou de modo inconfundível seu anseio de repartir com alguém que Lhe seja distinto, seu grande amor.
Mesmo não estando sob pressão de qualquer força externa a Si mesmo, exceto Seu amor, Ele criou tudo o que há, para a nossa alegria. A criação manifesta, portanto, não somente sua soberania, mas acima de tudo, seu amor “apaixonado” pelos seres humanos. Este amor permitiu-lhe criar algo que lhe fosse diferente para manifestar seu cuidado permanentemente redentor.
Quando se fala de criação, necessariamente está se falando de um processo de constante mudança e melhoramento, processo este que Deus vai operando na história por meio de seu Espírito. É com a criação que o tempo teve seu começo. Tempo também significa transformação. Por conta disso podemos deduzir que a criação não pode ser jamais considerada como um sistema fechado, estéril de novas possibilidades. A criação está aí como um presente de Deus a todos nós. Pessoas que orientam suas vidas pela Palavra de Deus sentem-se chamadas a atuarem no mundo como co-participantes deste processo divino de criação continuada. Somos, então, criaturas, co-criadoras.
Os crentes como co-criadores com Deus.
O ser humano é vocacionado a intervir na história humana e na criação, tornando-se partícipe do agir Divino, do mover de Deus. A criação está sendo renovada a todo momento por Deus. Ela ainda não encontrou seu ponto definitivo (Fp. 3,14ss). Todo momento é, portanto, uma oportunidade para refazer-se o que se perdeu, recriar o que se destruiu e dar vida nova ao que está sob risco de extinção e morte.
A Palavra criadora de Deus é um acontecimento que nunca se esgota. Tudo na criação está direcionado e aberto para o futuro de Deus. Isto equivale a dizer que alguém que foi redimido pelo amor de Cristo não pode fazer de sua vida um ato de resignação ante os fatos, mesmo os mais assustadores. Ao contrário disso, os filhos e filhas de Deus sentem-se continuamente inspirados a, no poder do Espírito, inserirem-se transformadoramente no mundo visando a contribuir para transformação da obra de Deus. O relato da criação do Gênesis nos permite constatar que a pessoa humana deve postar-se ante a criação como um semelhante seu, que experimenta um processo de contínua transformação.
A interpelação que a Palavra de Deus faz aos crentes em Cristo é para que estes, uma vez tendo reconhecido sua condição de criaturas “co-criadoras” engajem-se na missão Divina (missio Dei). A fé em Deus convoca a todos os que têm um mínimo de sensibilidade frente às questões ambientais, a elaborarem uma palavra e atitude críticas ao modelo de desenvolvimento adotado em nosso mundo. Este modelo expressa-se mais perigoso à vida nas nações ricas onde se instalou há muitas décadas um avançado processo de industrialização. Nestes Países adotou-se um padrão de utilização dos recursos energéticos incompatível com sua evidente esgotabilidade.
Mesmo uma observação menos rigorosa permite constatar que o padrão de vida das nações ricas não pode estendido às demais nações, sem levar a terra à bancarrota. Isto não deve ser entendido como um salvo-conduto ou isenção para as nações pobres, as quais, em decorrência de sua relação de dependência frente as mais ricas, acabam por reproduzir em escala diferenciada, mas igualmente danosa, a destruição da natureza.
A única alternativa ecológica para a sociedade moderna é a adoção de uma forma nova de relacionamento com a natureza, e, em conseqüência disto, a elaboração de uma nova maneira de servir-se dos recursos oferecidos pela mesma. Uma tal mudança de mentalidade pressupõe, necessariamente, a superação do ideal de aniquilação da vida presente de forma latente ou explícita na civilização técnico-industrial.
A natureza não pode ser vista como um objeto sem vida, sobre o qual o homem se debruce no intento de esquadrinhar a sua estrutura mais íntima, para, a partir daí, exercer absoluto domínio. O que se requer, todavia, é que a natureza seja reconhecida e interpretada como criação de Deus, como um espaço, no qual o ser humano se realize em parceria com a natureza. Quando o ser humano conhece a natureza como criação de Deus, passa a ter comunhão com a mesma e não a querer explorá-la predatoriamente, vendo nela parte integrante de si mesmo. Assim os homens e mulheres desenvolvem uma relação de permuta dando de si e recebendo da natureza
A natureza é como um espelho revelatório da glória de Deus (Sl. 8,3-9; Rm. 1,18-20). Nela o Deus Trino se deixa conhecer a Seus filhos e filhas, dando testemunho de Seu eterno poder e misericórdia. Na criação Deus não responde às perguntas da curiosidade humana, mas sim dá um sentido para a condução da vida. Não importa pois saber quando ou como Deus criou céus e terra, mas sim desde que motivação Ele o fez.
Os que vêem na criação a ação amorosa Divina, a estes foi, pois revelado o seu sentido mais profundo. Somente aqueles que podem ver a natureza como criação de Deus é que podem ver os “vestígios” de Deus no mundo atual. Estes sim são os amigos de Deus.
O ser humano é vocacionado a intervir na história humana e na criação, tornando-se partícipe do agir Divino, do mover de Deus. A criação está sendo renovada a todo momento por Deus. Ela ainda não encontrou seu ponto definitivo (Fp. 3,14ss). Todo momento é, portanto, uma oportunidade para refazer-se o que se perdeu, recriar o que se destruiu e dar vida nova ao que está sob risco de extinção e morte.
A Palavra criadora de Deus é um acontecimento que nunca se esgota. Tudo na criação está direcionado e aberto para o futuro de Deus. Isto equivale a dizer que alguém que foi redimido pelo amor de Cristo não pode fazer de sua vida um ato de resignação ante os fatos, mesmo os mais assustadores. Ao contrário disso, os filhos e filhas de Deus sentem-se continuamente inspirados a, no poder do Espírito, inserirem-se transformadoramente no mundo visando a contribuir para transformação da obra de Deus. O relato da criação do Gênesis nos permite constatar que a pessoa humana deve postar-se ante a criação como um semelhante seu, que experimenta um processo de contínua transformação.
A interpelação que a Palavra de Deus faz aos crentes em Cristo é para que estes, uma vez tendo reconhecido sua condição de criaturas “co-criadoras” engajem-se na missão Divina (missio Dei). A fé em Deus convoca a todos os que têm um mínimo de sensibilidade frente às questões ambientais, a elaborarem uma palavra e atitude críticas ao modelo de desenvolvimento adotado em nosso mundo. Este modelo expressa-se mais perigoso à vida nas nações ricas onde se instalou há muitas décadas um avançado processo de industrialização. Nestes Países adotou-se um padrão de utilização dos recursos energéticos incompatível com sua evidente esgotabilidade.
Mesmo uma observação menos rigorosa permite constatar que o padrão de vida das nações ricas não pode estendido às demais nações, sem levar a terra à bancarrota. Isto não deve ser entendido como um salvo-conduto ou isenção para as nações pobres, as quais, em decorrência de sua relação de dependência frente as mais ricas, acabam por reproduzir em escala diferenciada, mas igualmente danosa, a destruição da natureza.
A única alternativa ecológica para a sociedade moderna é a adoção de uma forma nova de relacionamento com a natureza, e, em conseqüência disto, a elaboração de uma nova maneira de servir-se dos recursos oferecidos pela mesma. Uma tal mudança de mentalidade pressupõe, necessariamente, a superação do ideal de aniquilação da vida presente de forma latente ou explícita na civilização técnico-industrial.
A natureza não pode ser vista como um objeto sem vida, sobre o qual o homem se debruce no intento de esquadrinhar a sua estrutura mais íntima, para, a partir daí, exercer absoluto domínio. O que se requer, todavia, é que a natureza seja reconhecida e interpretada como criação de Deus, como um espaço, no qual o ser humano se realize em parceria com a natureza. Quando o ser humano conhece a natureza como criação de Deus, passa a ter comunhão com a mesma e não a querer explorá-la predatoriamente, vendo nela parte integrante de si mesmo. Assim os homens e mulheres desenvolvem uma relação de permuta dando de si e recebendo da natureza
A natureza é como um espelho revelatório da glória de Deus (Sl. 8,3-9; Rm. 1,18-20). Nela o Deus Trino se deixa conhecer a Seus filhos e filhas, dando testemunho de Seu eterno poder e misericórdia. Na criação Deus não responde às perguntas da curiosidade humana, mas sim dá um sentido para a condução da vida. Não importa pois saber quando ou como Deus criou céus e terra, mas sim desde que motivação Ele o fez.
Os que vêem na criação a ação amorosa Divina, a estes foi, pois revelado o seu sentido mais profundo. Somente aqueles que podem ver a natureza como criação de Deus é que podem ver os “vestígios” de Deus no mundo atual. Estes sim são os amigos de Deus.