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domingo, 5 de novembro de 2017

Uma Reforma para hoje.

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Bildergebnis für die reformationOs reformadores dos séculos XV e XVI, não são peças de museu, ainda que sejam uma parte determinante de nossa história. Somos resultado de seu empenho por restaurar a integridade e o vigor da fé cristã em tempos realmente obscuros. Eles nos comunicaram, assim, uma marca indelével. Com base nesta rica herança, pode-se falar hoje de marcas permanentes que caracterizam um cristão evangélico. Existem sim traços que nos dão identidade, nos unificam, fazendo de nossa existência uma tarefa missionária comum.
A ideia de uma herança evangélica é, portanto, o reconhecimento do retorno às fontes. É preciso retornar sempre de novo às matrizes, às fontes geradoras da fé evangélica. Isso não significa em hipótese alguma canonizar os reformadores. Se assim fosse, não estaríamos lidando com uma historiografia séria e consequente, mas sim, com uma forma grosseira e estéril de hagiografia. Nós evangélicos reconhecemos o valor dos nossos pais na fé, sem, entretanto, desconsiderar seus erros e imperfeições. Não é para nós estranho e omitido o fato de que Lutero se posicionou ao lado dos príncipes na Guerra dos Camponeses. Que Calvino foi indiretamente responsável pela morte de Miguel de Serveto. Isto, para citar apenas algumas das fragilidades destes homens. Mas seu valor não pode ser reduzido às suas falhas. Sua importância está, isto sim, em sua capacidade de ver além de seu tempo, de empenhar-se com todas as suas forças para serem fiéis e consequentes ao chamado que receberam de Deus. Nisto está a substância de seu legado.
Podemos falar hoje de marcas evangélicas atuais. Dito de outra forma: Há as marcas que atualizam na vida dos crentes de hoje o ideal e anseio que norteou os reformadores de ontem. Todos os dias estamos sendo desafiados por Deus a dar roupagem nova à herança que recebemos daqueles que nos antecederam. Atualizar a fé quer dizer, acima de tudo, reconhecer que vivemos num outro tempo. Estamos separados por cerca de 500 anos, mas, ainda assim, estamos unidos naquilo que é a substância da fé.

Para a Igreja cristã evangélica de hoje encontrar as pistas de seu futuro é preciso, pois, ir além dos reformadores, mas sendo sempre fiéis ao seu espírito. Isto não faremos com respostas prontas. Vale mesmo é a colocação da pergunta: o que significa ser evangélico hoje? Deus, por certo, nos iluminará. Assim como fez com os reformadores de outrora, pois Ele seguirá sendo sempre um castelo forte, uma morada segura. 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

A totalidade das Escrituras, para todo o povo. Sobre os 500 anos de Reforma.

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Hoje comemoram-se os 500 anos da Reforma iniciada por Martin Lutero e que se expandiu para além da Alemanha e das Igrejas evangélicas. As ideias de Reforma (que já vinham bem antes de Lutero) alcançaram à época o Reino Unido e até mesmo a Igreja Católica, promovendo importantes mudanças. Oxigenando o Cristianismo. Foram, sim, uma primavera para a Igreja. Podemos, por isso, dizer que a Reforma de então, não é hoje somente protestante, ela é de todos/as os/as cristãos/ãs.
Lutero sempre esteve muito preocupado em que o povo simples lesse as Escrituras Sagradas com entendimento, podendo dessa forma, extrair delas inspiração para a vida e forças para enfrentar as tormentas do cotidiano. Em sua tradução do Novo Testamento ele estava preocupado em ser fiel não somente ao texto original grego, mas também aos/às seus/suas leitores/as. Queria que a dona de casa, o homem no mercado, as crianças na rua, entendessem o texto sagrado em sua própria linguagem. Queria estimular, com isso, o livre exame da Palavra de Deus.
Não julgo, entretanto, que Lutero estivesse sancionando uma espécie de “exame livre” ou arbitrário das Escrituras Sagradas. Se por um lado ele afirmou que todo fiel poderia acessar ao texto bíblico sem o aval do magistério da Igreja (o Papa), não estava sugerindo com isso, que qualquer pessoa pudesse tirar conclusões descontextualizadas do que estava lendo.
Além de escrever comentários sobre os livros da Escritura Sagrada e Catecismos para povo, ele também instituiu um critério para leitura e interpretação da Bíblia: no seu entender, todo fiel deveria ler a Palavra de Deus em sua totalidade e procurar sempre encontrar na base desta leitura Cristo, a verdadeira Palavra de Deus. Isso seria (e continuará sendo) sempre um antídoto contra os fundamentalismos. Contra uma leitura legalista e impiedosa das Escrituras Sagradas.
Ler a Palavra de Deus procurando nela encontrar Cristo, e encontrando-o, espelhar nele sua vida, é uma ótima maneira de continuar sendo evangélico, no melhor sentido da palavra. E isto vale não somente para os protestantes, mas para todas as pessoas de boa vontade. Pessoas que desejam andar na busca e na prática do bem, da justiça e da misericórdia. Sejam elas cristãs ou não.
Assim, uma Igreja reformada, estará sempre se reformando.

Um sentido fascinante para a vida.



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Pessoas minimamente informadas percebem com facilidade que ainda hoje vivemos num mundo de sonhos, ideias e ideologias. É bom que seja assim. Pode ser que nossa vida em sociedade fosse uma chatice, se não houvessem pessoas que empenham todas as suas forças em favor de uma causa.
Imaginem como seria pobre o Brasil de hoje, se Chico Mendes não tivesse feito da causa dos trabalhadores rurais e seringueiros seu projeto de vida? Os EUA, se o Pastor batista Martin Luther King Jr não tivesse feito da luta pelos direitos dos negros, seu moto de vida? Estas pessoas foram consequentes em sua luta. Por sua causa dela morreram, mas nunca foram fanáticos ou intolerantes com os que pensavam diferente deles.
Vejo nestas e em muitas outras formas de engajamento e militância política um sinal de que as pessoas que assim se engajam, estão vivas. Não foram anestesiadas pelos horrores e transtornos da vida. Não sofrem de “amnésia programada”, como diz o filósofo George Steiner. Suas ideologias as mantém vivas, na esperança da realização daquilo que creem e pelo que se empenham.
Não diria, entretanto, o mesmo, se este tipo de ideologia os tivessem levado ao fanatismo e à intolerância. Uma coisa é certa: Sempre que alguém não aceita aquilo ou aqueles que lhe são diferentes e, por isso mesmo, os desrespeita, os persegue e os ataca, dá prova de que não está seguindo uma causa que dá sentido à sua vida. Na verdade, está movido por um tipo de ideologia, doença psíquica ou enfermidade da alma. É infeliz e quer arrastar consigo para o lago profundo da infelicidade, outras pessoas. Neste sentido, não posso me sentir à vontade quando vejo (aqui ou ali) cristãos que se comportam intolerantemente diante de pessoas que pensam e se comportam diferente de nós.
A fé cristã não pode ser vista como uma ideologia, a qual nos agarramos e, impiedosamente, perseguimos quem não a aceita. O Cristianismo é, isto sim, um projeto de vida. Para mim, o mais fascinante de todos: seguir a Cristo, e adotar em minha vida, o Seu modo amoroso de ser.
Porque sou cristão, empenho todas as minhas forças, todos os dias e cada vez mais, para poder ser como um Cristo para este nosso mundo. Isto implica acolher a pessoas, todas as pessoas, sem distinção, sem discriminação. Pensem elas como pensaram, ajam elas como quiserem agir, posto que o amor de Cristo (que habita em nós) não faz exigências. Ele é incondicional.
Quem toma o seguimento de Cristo como seu projeto de vida, amanhece o dia, todos os dias, feliz por ter sido perdoado e acolhido pelo amor invencível de Deus e exatamente por isso, se coloca na escola daqueles que desejam cultivar uma atitude perdoadora na vida.
Desconfio de que os cristãos de hoje, precisamos ser menos aferrados a ideias e dogmas e mais apaixonados pela vida e por nossos semelhantes. Nisto está a substância da fé: acolher o amor de Deus e viver diuturnamente empenhado, na tentativa de reparti-lo, pois de graça temos recebido e de graça podemos dar.