A possibilidade da elaboração de uma linguagem inteligível é nossa marca própria, como seres humanos. O uso das palavras é que permite a nossa comunicação e o que nos faz sui generis em toda a complexidade do mundo criado.
As palavras têm sim um valor intrínseco. Elas têm um peso. Uma vez proferidas, passam a ter uma história própria. Muitas vezes avançam no tempo, distanciando-se do momento inicial quando foram originalmente ditas.
As palavras podem ter um efeito destrutivo. Se ditas de modo irrefletido, ou (ou que ainda pior) quando são usadas deliberadamente como forma de humilhar e ofender. Quando estão sob a marca daquilo que E. Fromm chama de destrutividade. Às vezes podem matar, e quando não, ferem, deixando cicatrizes permanentes.
Palavras deveriam ser fonte de vida. De benção. Daquelas que, por onde quer que ecoem, despertam o que há de mais belo e terno em nós. Deveriam ser uma dádiva, tanto para quem as expressa, quanto para aqueles/as que as ouvem.
Gosto muito de estudar o tema das “últimas palavras”. Há pouco tomei conhecimento de que A. Einstein proferiu tais palavras, quando estava à morte. Lamentavelmente, ele o fez em alemão, língua que a enfermeira que o acompanhava, não conhecia. Que perda para a humanidade não saber sobre o último testamento daquele gênio.
Jesus Cristo, em Seus discursos de despedida, também proferiu palavras derradeiras. No Evangelho de João, já antevendo Sua morte iminente, Ele disse:
“Novo mandamento vos dou: que vos amei uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (João 13,34)
Ainda me causa desconforto e um pouco de frustração ter que constatar que, a despeito da força intrínseca destas palavras de Jesus, elas ainda não parecem ter se tornado o lenitivo, a razão de existir de muitos/as de Seus/suas seguidores/as. Sou levado a crer nisso, entre outras coisas pela forma, explícita ou não, com que nos deixamos seduzir por discursos de ódio e violência. Maior antítese ao ensino de Jesus Cristo não poderia haver.
Ao que parece, precisamos com urgência nos voltar mais para o Evangelho e, nos tornar um pouco mais críticos ante aos discursos dominantes da mídia, e assim estarmos mais qualificados para interpretar de modo mais abalizado nossa realidade.
Afinal de contas, com Jesus temos aprendido que o ódio sempre mata, mas o amor revigora a vida.
L. Bastos