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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Uma espiritualidade que seja misericordiosa

Poderá haver fé no mundo dominado pela técnica? Poderá a nossa fé nos permitir viver a intensidade da espiritualidade, sem desvios, sejam os que lembram desamor, o fanatismo ou a incredulidade?

Jesus Cristo nos surpreende quando, a um só tempo, nos convida a ter fé inquebrantável e a perdoar incondicionalmente, depois de haver amaldiçoado figueira “infrutífera”. Jesus soube bem o que é ser humano.
Jesus teve fome: uma humanidade plena
Engana-se quem pensa que Jesus não esteve sujeito às mesmas vicissitudes que nós. Ao assumir a nossa humanidade (nascendo do ventre de Maria), Ele ficou condicionado á tudo o que é próprio do ser humano. Conhecia bem os limites da existência humana, suas fraquezas. Mas, apesar disso, nunca pecou, mês sendo sempre tentado (2. Co. 5,21). Por isso mesmo é que Ele pode entender as nossas aflições, enquanto seres humanos que somos.
Jesus amaldiçoa uma figueira
Como combinar a pessoa amorosa de Jesus com a maldição de uma planta? Como conciliar a justiça de Deus com a exigência de frutos de uma planta fora de época? Estas perguntas, de fato desconcertantes, não são de fácil solução. Se é que há alguma. Pois o que se espera de Deus é que Sua justiça transcenda à nossa. Que ela seja sinal real de equidade. Sempre que ela extrapola nossa forma racional de compreensão, fica o sentimento de incompletude. Quando não temos respostas, abre-se ante aos nossos olhos o segredo do mistério divino. E isto é que é ter fé, pois quem crê não se guia pelo que vê, mas vê o invisível (Hb. 11,1).
Ter fé e transportar montanhas
A experiência muitas vezes nos decepciona, pois nem sempre somos capazes de orar e dizer com fé aos montes para que eles se movam. Inúmeras vezes somos vacilantes e nossa parece ser bem menor do que um grão de mostarda. Não poucas vezes precisamos dizer, como Pedro: “Senhor ajuda-me em minha falta de fé
Jesus nos chama a crer. E crer com segurança e ousadia.
Deus é quem nos responde às nossas súplicas. Ele é o autor e consumador de nossa fé.
Crer é também arriscar-se! Lançar-se nos braços de Deus com todas as nossas dúvidas e vacilações.
Ter fé e viver na prática da misericórdia
O perdão não é somente um sinal de graça. Ele é também sua condição (v. 25). Quem deseja andar nos caminhos de Jesus Cristo, seguir seus passos com fidelidade e fervor, deve estar pronto para fazê-lo integralmente. Isto demanda compromisso com Deus e com os homens. Quem se volta para Deus em atitude de devoção, deve saber-se igualmente chamado para abrir-se ao seu semelhante. Não faz crescer em graça, a espiritualidade que não sabe perdoar e, tolerantemente aceitar o próximo como ele é.
Seguir a Jesus Cristo bem de perto significa:
a)      Reconhecer o mistério divino e não se perturbar, pois quem crê em Deus, segue crendo, mesmo e apesar das muitas dúvidas que nos surgem ao longo da vida. A fé não significa viver sem dúvidas, mas, na dúvida, seguir crendo.
b)     Aprofundar a espiritualidade em todas as suas dimensões, pois um fervor que seja cada dia mais intenso e profundo não desconsidera a misericórdia e a generosidade. O Fervor, quando é perdoador, sara feridas, tanto as nossas, quanto as de nossos semelhantes.
 L.  Bastos