Há pessoas que dão pão para os pobres. Quem assim age, o faz, movido pelo mais belo dos sentimentos humanos: a compaixão. Tais pessoas, religiosas ou não, se sentem solidarizadas com o destino de muitos que vivem à margem. Fazem o que está ao alcance de suas mãos para dirimir o sofrimento de seu semelhante.
Mas há pessoas, entretanto, que não se limitam a dar pão aos
empobrecidos. Vão mais além do mero assistencialismo. Se perguntam pelo motivo
que levou tantas pessoas, num país tão rico como o nosso, a não terem pão. Questionam
a condição de dependência dos empobrecidos da generosidade alheia.
O amor, quando autêntico, deseja a efetiva libertação das
pessoas. E nisso, as ciências humanas podem prestar um grande serviço, posto
que elas nos habilitam a convertemos nossa bondade, num gesto mais eficaz. Efetivamente
libertador.
As ciências sociais, são sim “perturbadoras”, posto que
questionam o status quo. Ajudam na superação de nossa ingenuidade. São, por
isso mesmo, subversivas. Sim porque subvertem a (des)ordem deste país tão
injusto e dão voz e vez àqueles e àquelas que sempre tiveram que viver das sobras.
Quem não gosta das ciências humanas estará sempre sob a
suspeita de estar à serviço dos eternos donos do poder. De não desejarem
nenhuma mudança no Brasil.
É verdade que as ciências humanas não têm o poder mágico de
mudar o Brasil, mas se as coisas já estão difíceis com elas, imaginem como ficarão,
sem elas?
L. Bastos
Boa reflexão.
ResponderExcluirQue estas linhas possam fazer com que muitos reflitam
O que dizer da antropologia, sociologia, história, teologia, enfim, de todas as ciências humanas?
ResponderExcluirAlém de nos oferecer subsídios intelectuais para nosso discurso, nos coloca em confronto com o que talvez seja a maior de nossas fraquezas, o egoismo. Não consigo imaginar o que seria a falta de taís ciências, pois em mim, a partir delas, uma inquietação surgiu, mais ainda, o entendimento de que somos o semelhante.
Seus textos sempre me inspiram a avançar e escrever, linda reflexão professor.
Ótimo meu irmão!!!!
ResponderExcluirObrigado pelo texto.
ResponderExcluirO que dizer da antropologia, sociologia, história, teologia e todas as demais ciências humanas?
ResponderExcluirNão há dúvida de que o mergulho profundo em tais teorias, verdades e reflexões abordadas por elas nos dão subsídios para firmar e elucubrar nosso discurso frente aos desafios impostos, como a concentração de renda e miséria em todas as instâncias. Em mim, contudo, o contato e mergulho nelas, sobretudo a teologia, fez com que minhas "entranhas" fossem estremecidas e fui impulsionado, confrontado a ir além. Sou convicto que tenho muito a fazer ainda, mas sem pestanejar, as ciências humanas mudaram minha visão de mundo, claro que o senhor (Dr. Levy Bastos) foi protagonista em minha formação teológica. Por td isso, como diminuir a importância de Taís ciências? Oremos por quem gostaria de diminui-las.
Gente fiquei muito inspirado com o artigo, acabei colocando a segunda parte do que me veio a cabeça quando o li.
ResponderExcluirPerfeito, como sempre.
ResponderExcluirVivemos em uma época, aqui no Brasil, que se demoniza às ciências sociais. Eh preciso mais informação para que se combata a esse obscurantismo social. Seu texto é um dos necessários, nesse momento.
Muito obrigado.
Muito bacana trazer a tona esse papel super relevante das ciências humanas e sociais que, por muitos, estão desvalorizadas. E mais relevante ainda, é sempre lembrar dos pobres e oprimidos , trazendo a nossa mente que nada devemos ter como "meu" e sim, nosso e que o que temos é pura misericórdia e compaixão do nosso Pai.
ResponderExcluirRelevante demais. Negligenciamos demais as ciências que nos alertam, ensinam e estimulam para as coisas mais elementares da vida. E principalmente, negligenciamos os pobres e oprimidos esquecendo que o que temos é por misericórdia e compaixão de um Pai amoroso e esse Pai nos convoca a partilha, amor, compaixão e misericórdia.
ResponderExcluirBelissimo Texto!!!
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