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domingo, 8 de maio de 2016

A arte da escuta.


 "Todo ser humano seja rápido para ouvir, mas devagar no falar e devagar em se irar, pois a ira da pessoa humana não produz o que é justo diante de Deus”
Assim foi que Martin Lutero traduziu a Carta de Tiago, capítulo 1, versículos 19 e 20. 

Por trás deste texto está a sabedoria milenar que diz que é sempre melhor ouvir do que falar. Na Alemanha aprendi um ditado popular: "falar é prata, mas ouvir é ouro". É por essas e por outras que cada vez mais me convenço de que precisamos nos adestrar na arte da escuta. Escuta ativa e demorada. Escuta que seja atenta.

Mas por que é tão importante aperfeiçoar a arte de escutar? 

Quem se aperfeiçoa na arte da escuta dá provas de que quer aprender com os outros. Está aberto para alargar ainda mais seu horizonte de vida e de compreensão. Reconhece que é uma pessoa imperfeita e ainda incompleta. Sabe bem que é alguém que está em construção. Que precisa da partilha com seu semelhante para ser mais pleno e, portanto, mais feliz.

Ao contrário disso, quem fala muito e pouco ouve, ainda não sabe o sentido profundo e curativo do diálogo. Mais do que isso, está, no fundo, convencido de que não tem mais o que aprender. E o maior risco de pessoas que não querem aprender com os outros é o de se tornarem reféns do preconceito (filho crescido da ignorância).

O Brasil de hoje enfrenta momentos turbulentos. Seja no âmbito político, seja no religioso. Ninguém quer ouvir a ninguém, As pessoas parecem que estão “entrincheiradas”. Em tempos de intolerância como esses que vivemos, escasseiam-se as pessoas que têm ouvidos abertos para a escuta criativa. Pessoas que estejam realmente dispostas a ouvir umas às outras, especialmente em se tratando de quem pensa diferente. Mas, é com os que pensam diferente de nós é que temos maior chance de aprendizado e crescimento.

Mais que nunca precisamos fortalecer a ideia de que uma sociedade cresce e se torna mais fecunda na exata medida em que deixa florescer a troca e a partilha de ideias. Onde pessoas se abrem umas às outras para (como dizia Paulo Freire) aprenderem em comunhão.

Esta é a mais sublime mensagem do Evangelho de Cristo: seguimos a Cristo e todos os dias estamos dispostos e desejosos de aprender um pouco mais. Como crentes, não queremos fortalecer a intolerância, mas ser instrumentos de paz. Queremos, isto sim, ser como pontes que aproximam as pessoas. Para isso, Deus, por certo nos ajudará!


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