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sábado, 28 de novembro de 2015

O inimaginável mundo sem Deus e sem Religião.


Em 1971 o mundo foi agraciado com uma das mais lindas canções que já se compôs: “Imagine”, de John Lennon. Nela, fala-se de um mundo sem religião, sem nacionalismos. John Lennon cantou e encantou-nos a todos falando de um mundo onde as pessoas pudessem viver em paz, onde não houvesse nem fome, nem ganância, posto que não haver neste mundo ideal, a propriedade privada. Nele, todos viveríamos como irmãos e irmãs. A humanidade foi ali pensada como uma grande família. Não é sem motivo que esta canção tenha se convertido, desde então, num lema para os movimentos pacifistas.
Eu não seria capaz de compor poesia mais linda, mais evangélica. Mas, não posso deixar de lamentar que, num aspecto, John Lennon parece ter sido refém de um grande preconceito: o religioso. Isto se torna evidente quando ele fala de um mundo imaginável sem religião. Se ele, ao criticar a religião, pensou em fanatismos, em gente impiedosa que se vale da religião para oprimir ou matar os outros, para cercear as liberdades ou os direitos mais elementares da pessoa humana, ele teria toda razão. Mas julgo que seu erro foi ter generalizado. Nem toda expressão religiosa é má.
Concordo com ele que existem formas religiosas que não nos ajudam a crescer em nossa humanidade. Existe um tipo de religiosidade que faz, sim, muito mal, e, por isso, deve ser evitada. Mas seu grande equívoco foi se deixar convencer de que toda religião sempre tivesse que ser assim.
Estou mais do que convencido que a religião dá sentido à vida das pessoas, as fortalece nos momentos mais angustiosos, as torna mais solidárias umas com as outras. A religião existe desde que o mundo é mundo, pois o ser humano é, por natureza, um ser religioso.
Religião faz muito bem, sempre que desperta e aprofunda em nós o desejo de amar aos nossos semelhantes, com um amor que seja desinteresseiro. Religião autêntica nos fala de perdão. Nos aprofunda o senso de justiça e de fraternidade. Esta forma de religião, ao que parece, John Lennon pouco conheceu, mas ela existe, disso estou certo. E não deixará de existir nunca, pois foi engendrada em nossos corações por Aquele que nos criou.
Como bem disse Santo Agostinho, Deus instilou na alma de cada um de nós o anseio pelo que é transcendente. Nascemos com “fome” e "sede" de Deus e nossas almas só se aquietam quando se encontram e descansam em Deus.
Deus não é inimigo da felicidade das pessoas, pelo contrária, a glória de Deus está na alegria humana.

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