Sempre que me levanto, olho da minha
janela. Talvez porque lá (como alguns já sabem) estão minhas flores. Mas também
porque quero ver o que o dia (presente de Deus) já me oferece... Os sons e ruídos (nem sempre muito bons), as
crianças que vão para a escola, as pessoas que vão para o trabalho, a beleza da
vida.
De minha janela não posso, é claro, ver
tudo que a vida quer me presentear. Nas metrópoles somos bloqueados em nosso
olhar pelos muitos prédios. Sorte de quem mora no interior, dos que têm casas
com janelas de largas perspectivas.
E é isso que as janelas querem ser: pontos
de perspectiva. Janelas nos dão horizontes. Nos abrem os olhos para sonhos,
anseios, desejos, possibilidades. Tanto mais largas nossas janelas, mais largos
nossos horizontes, nossos sonhos, nossa esperança na vida.
Os cristãos deveriam ser pessoas com
horizontes. Pessoas de sonhos sem fim, pois com Abraão aprendemos (juntos com
muçulmanos e judeus) a ter fé na vida. Abraão teve tanta fé que trocou o
presente, pelo futuro, o visível pelo invisível, o seguro pelo arriscado. Viu o
que ninguém conseguia ver. Tudo isso porque tinha enormes janelas, e por isso, novas
possibilidades na vida. Esperou contra toda esperança (Rm. 4,18). Não se deixou
consumir pelo pessimismo reinante ao seu redor.
Cristãos poderiam também ver novas
possibilidades na vida... sonhar com um Brasil onde a corrupção e a miséria
pudessem ser erradicas, onde a riqueza de uns poucos não cobrasse a pobreza de
uma multidão incontável, onde as pessoas não fossem discriminadas por causa da
religião, da etnia, da opção sexual, das opções políticas, etc.
Cristãos poderíamos alargar um pouco mais
nossas janelas e sonhar de olhos abertos e fazer tudo o que estivesse ao alcance
de nossas mãos para que nossos sonhos, tanto os pequenos, como os grandes,
virassem realidade.
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