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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Janelas para o mundo


Sempre que me levanto, olho da minha janela. Talvez porque lá (como alguns já sabem) estão minhas flores. Mas também porque quero ver o que o dia (presente de Deus) já me oferece...  Os sons e ruídos (nem sempre muito bons), as crianças que vão para a escola, as pessoas que vão para o trabalho, a beleza da vida.
De minha janela não posso, é claro, ver tudo que a vida quer me presentear. Nas metrópoles somos bloqueados em nosso olhar pelos muitos prédios. Sorte de quem mora no interior, dos que têm casas com janelas de largas perspectivas.
E é isso que as janelas querem ser: pontos de perspectiva. Janelas nos dão horizontes. Nos abrem os olhos para sonhos, anseios, desejos, possibilidades. Tanto mais largas nossas janelas, mais largos nossos horizontes, nossos sonhos, nossa esperança na vida.
Os cristãos deveriam ser pessoas com horizontes. Pessoas de sonhos sem fim, pois com Abraão aprendemos (juntos com muçulmanos e judeus) a ter fé na vida. Abraão teve tanta fé que trocou o presente, pelo futuro, o visível pelo invisível, o seguro pelo arriscado. Viu o que ninguém conseguia ver. Tudo isso porque tinha enormes janelas, e por isso, novas possibilidades na vida. Esperou contra toda esperança (Rm. 4,18). Não se deixou consumir pelo pessimismo reinante ao seu redor.
Cristãos poderiam também ver novas possibilidades na vida... sonhar com um Brasil onde a corrupção e a miséria pudessem ser erradicas, onde a riqueza de uns poucos não cobrasse a pobreza de uma multidão incontável, onde as pessoas não fossem discriminadas por causa da religião, da etnia, da opção sexual, das opções políticas, etc.
Cristãos poderíamos alargar um pouco mais nossas janelas e sonhar de olhos abertos e fazer tudo o que estivesse ao alcance de nossas mãos para que nossos sonhos, tanto os pequenos, como os grandes, virassem realidade.


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